Como muitos sabem, essa estória de Canadá começou há um bom tempo. Eu mesma não sei dizer direito de onde surgiu essa idéia. Eu só me lembro de começarmos a ir atrás de palestras sobre imigração do Quebéc. Ficamos um bom tempo lendo sobre a província, chegamos até a fazer uns 4 anos de francês pra podermos nos qualificar. E em 2011 fomos conhecer a terra onde pretendíamos morar. Fomos pra Montréal e ficamos por lá durante um mês. A desculpa era praticar a língua, mas na verdade a gente queria mesmo era conhecer o país pra ter certeza das nossas escolhas.
Bom, não preciso nem dizer que adoramos, né? Ainda mais no verão… tudo muito gostoso.

Quando nós voltamos, pretendíamos nos casar e aplicar para o processo, do Brasil. Isso foi em agosto de 2011… mas infelizmente em fevereiro de 2012, dois meses antes de nos casarmos, perdi meu pai num acidente doméstico. Além da dor de perder alguém tão especial, tivemos que correr com um monte de burocracia, enfim… coisas que a gente só toma conhecimento quando essas coisas acontecem conosco. Graças a ajuda do meu irmão e minha mãe, tudo se resolveu depois de um tempo. Mas foi um período muito ruim, pois você se quer tem tempo de pensar no que aconteceu. É como se você tivesse que pedir uma autorização pra sofrer… enquanto isso, você aguarda… enfim… Já passou. Fato é que isso impactou nossas vidas e acabou fazendo com que a gente não aplicasse pro processo de imigração tão cedo. E quando voltamos a tocar nossas vidas, o escritório de imigração, que era em São Paulo, estava se mudando pro México e com a alta demanda, o processo estava levando em média 3 anos pra ficar pronto… Aí foi a gota d´água… largamos mão de correr atrás disso, além do mais, já estávamos com nossas vidas estagnadas, pois não comprávamos nada aí no Brasil temendo ter que vender depois. Até coisas básicas, de casa, a gente evitava comprar, rs.

No final do ano, eu estava de férias da empresa onde eu trabalhava e meu marido veio com uma idéia de abrir uma loja de moda infantil, já que ele, como representante de uma marca, já vendia seu mostruário na casa da mãe dele à preço de custo e via o potencial daquilo. Segundo ele mesmo, ele sempre teve vontade de saber como era estar “atrás do balcão”, rs.
Lá fomos nós, em um mês, correr atrás de ponto comercial na cidade, marceneiro pros móveis planejados, escolha do nome da loja, do logo, abertura de firma, de ir pra São Paulo fazer compras de manequins, acessórios pra loja além de correr atrás de mercadorias à pronta entrega, fazer pedidos direto da fábrica e ainda voltar pro trabalho e pedir demissão! Resumindo, abrimos a loja na correria e ela foi tomando corpo e forma com o passar dos anos. Ficamos com ela por 3 anos, quando resolvemos que ainda queríamos mais do Canadá, não só férias, mas uma experiência de vida fora.

Nesses 3 anos de loja, o Canadá sempre esteve muito presente em nossas vidas. Nos bastidores, mas presente. Sabíamos de uma amiga que tinha ido para o Canadá com o marido e 2 filhos pequenos para fazer um post-graduation program e, consequentemente o seu marido receberia uma permissão de trabalho. Acredito que a intenção dela era, nesse meio tempo, aplicar pelo processo Provincial a medida que eles já estavam vivendo a vida no Canadá.
Além disso, já sabíamos de um tal de Canadian Experience Class, que é um processo que elege pessoas com pelo menos um ano de experiência canadense (não só a vida de estudante no país com suas superações quanto ao idioma, clima e cultura, mas também de mercado canadense), para receber o direito de viver permanentemente no país. Mas que só seria possível fora do Quebéc.

Foi aí que começou nossa mudança de escolha de província. Ficamos por muito tempo na dúvida entre British Columbia e Ontário, mais especificamente, as cidades de Vancouver e Toronto. Conversávamos com todo mundo que conhecíamos dessas províncias e, por final, decidimos pela última. Cogitávamos outras cidades menores, mas como o Alexandre ainda teria que estudar, preferíamos as cidades maiores, além do que, nós somos do interior de São Paulo, queríamos um pouco de agito, rs.
Outra coisa que pesou na escolha foi a questão da mobilidade. Não só pela possibilidade de não depender de um carro, já que em Toronto tem metrôs que cobrem grande parte da cidade, mas também pela questão de evitar conexões. Quando fomos pra Montréal, tivemos que fazer uma, e apesar de ser só uma hora de voo, ainda tivemos que esperar quase uma hora dentro do avião para que os mecânicos fizessem uma vistoria na asa dianteira (te peguei! Kkk) que, à princípio, era “só uma manchinha” e ia levar 15 minutos, mas no fim era algo mais grave e tivemos que mudar novamente de aeronave. Pra Vancouver não ia ser diferente, aliás, ia ser pior, pois são mais quase 5 horas de voo saindo de Toronto. Pensamos até nos nossos pais tendo que passar por tudo isso quando fossem nos visitar… Por esse motivo, decidimos ficar por aqui mesmo, pelo menos enquanto o Alexandre estiver estudando. Pode ser que mais pra frente a gente queira se mudar pra uma cidade mais tranquila, mas nós estamos gostando da bagunça aqui, rs. Caso a gente mude, eu conto num outro post. Pode ter certeza!