Sempre que eu digo que eu tenho um visto de turista com uma cartinha (Visitor Record) o pessoal estranha. Acho que não é muito comum, mesmo. Então resolvi escrever aqui como foi que eu consegui essa carta e por quê.

POR QUE EU NÃO ENTREI COM VISTO DE ESTUDO OU TRABALHO?

Bom, primeiramente a nossa estratégia de imigração é através do Canadian Experience Class. Pensamos bastante sobre quem deveria estudar e quem deveria trabalhar então decidimos que a graduação para o meu marido seria melhor aproveitada. Mas para isso ele precisaria estudar mais inglês, então fechamos 6 meses com uma escola de ESL. Fizemos todo o processo sozinhos. Desde a escolha da escola, a inscrição, pagamento, renovação dos passaportes e aplicação dos vistos. Justamente por isso, eu apliquei para um visto de turista, pois não iria estudar e muito menos poder trabalhar, pelo menos até que o Alexandre tivesse entrado no College.

NUNCA TINHA OUVIDO FALAR DESSE TAL VISITOR RECORD

Quando chegamos na imigração, por mais que nós soubéssemos que estava tudo certo, sempre dá aquele friozinho na barriga, afinal, ninguém está aqui de brincadeira e há muita coisa envolvida. Trabalho, finanças, família, sonhos…

Sabíamos que por termos aplicado pra um visto de estudante teríamos que passar por um processo um pouco mais longo na imigração. Fomos juntos no guichê. O primeiro oficial parecia não estar num bom dia e foi beeem seco. Como o Alexandre era o requerente principal e tinha a carta de aceitação da escola, foi tranquilo. Mas quando chegou na minha vez, questionava o que eu ia fazer durante o tempo em que o meu marido estivesse estudando e eu disse que iria apenas acompanhá-lo já que somos casados e eventualmente faria algum curso de curta duração. Ele foi enfático em dizer que eu NÃO poderia estudar pois meu visto era de turismo apenas (V-1)* e também não poderia trabalhar. “-OK”.

Saímos deste guichê e fomos mandado para outro. Desta vez era uma moça de origem indiana e parecia mais amigável. Mesmo assim fez praticamente as mesmas perguntas que o outro oficial tinha feito. Anexou o Study Permit válido por 9 meses no passaporte dele e pronto. Ai ela me disse que eu só poderia ficar aqui por 6 meses e que depois eu teria que retornar ao Brasil – OMG!!!

Eu sei que não é muito recomendado, mas na hora eu falei pra ela que gostaria de ficar mais pois existia a possibilidade do meu marido cursar uma graduação aqui e, ela perguntou se eu tinha a LOA (letter of acceptance) da instituição. Eu expliquei melhor dizendo que não tínhamos fechado nada, que iríamos visitar os Colleges pessoalmente. Ela começou a explicar que isso era um outro processo e antes que ela se prolongasse eu concordei dizendo que estava ciente e que o faria mais tarde.

Acho que o que eles observam muito é o quão você está por dentro das normas do país e, de uma certa forma isso a tranquilizou. Me disse que neste caso iria emitir um documento que permite que um turista fique por mais de 6 meses, chamado Visitor Record. Felizmente ela me deu a mesma data de “retorno” do meu marido, ou seja 9 meses e também anexou-o junto ao meu passaporte.

 

Visitor Record

Visitor Record que está grampeado no passaporte. É idêntico ao Study Permit do meu marido, exceto pelo título e motivo descrito lá embaixo.

 

Resumo da ópera, consegui um tempinho a mais considerando que meu visto é de turista, mas não aconselho ninguém a chegar pedindo esse documento na imigração. Só responda as perguntas de forma transparente e você não terá problemas. Mentira tem perna curta.

*Visto de turismo V-1 permite apenas visitar o país. Caso eu quisesse estudar, mesmo que por menos de 6 meses eu acredito que eu teria que ter aplicado para o SX-1, como eu fiz em 2011 quando passei um mês em Montréal para estudar francês.

 

 

Alguém mais tem esse documento? Escreva aqui sua experiência! Até hoje não encontrei ninguém com um pra conversar!!! Depois conto como vai ser o processo de renovação da minha permanência aqui.