Faço este post simplesmente para ajudar quem estiver na mesma situação e também porque não achei nenhum relato de alguém que tenha ido aplicar o PGWP e Work Permit na fronteira. Já tinha ouvido falar, é claro, mas não em detalhes, então quando chegou nossa hora, surgiram um monte de dúvidas, que talvez você também possa ter.

Por que aplicar para o PGWP e Work Permit na fronteira?

Inicialmente iríamos aplicar online, por conta da praticidade. Porém, temos planos de ir com a família para os Estados Unidos agora em junho e ficamos sabendo que uma vez aplicadas as extensões nós ficaríamos debaixo do implied status, ou seja, se saíssemos do país, na volta perderíamos nosso direito de trabalhar e muito provavelmente teríamos que aplicar NOVAMENTE para o PGWP e Work Permit. Essa foi a única razão. Não fosse por isso, eu poderia continuar trabalhando até meu visto vencer no final de julho. Vale lembrar que no meu caso, não havia nenhum remark no meu work permit atrelando minha permissão ao visto de estudos do Alexandre. Caso tivesse, eu, assim como ele, perderíamos nossas permissões de trabalho uma vez que o College mandasse a carta oficial de conclusão do curso e só poderíamos voltar a trabalhar assim que aplicássemos para respectivas extensões.

Planeje-se

Estávamos esperando nossos passaportes chegarem pois havíamos tirado o visto americano, e com o feriado prolongado não sabíamos se iriam chegar na terça ou quarta-feira, mas seria muito conveniente se chegassem na terça pois eu estava off do trabalho. Se não fosse na terça teríamos que esperar mais uma semana quase até minha outra folga e enquanto isso o Alexandre não poderia trabalhar.

Estávamos monitorando pelo Canada Post e vimos logo de manhã que eles já estavam aqui em Toronto. Corri pra pagar as tarifas de extensão dos vistos Canadenses online, alugamos um carro, revisamos as papeladas e saímos correndo pra Niagara. Enquanto isso, eu ficava procurando alguma informação quanto ao horário de funcionamento e também o local exato. Como era algo demorado imaginei que eles tivessem uma janela especial pra isso. Encontrei a informação que funcionava em determinados dias da semana e em horários restritos, mas estávamos dentro do exigido.

Chegando lá, não sabíamos onde ir, se podíamos ir de carro ou não, ficamos com receio de sair do país de forma errada e ter problemas, enfim… ficamos bem preocupados. Decidimos estacionar o carro e investigar. Fomos até uma lanchonete e perguntamos se era possível atravessar a fronteira à pé. Ok, vamos à pé, então. Mas será que não é melhor dar um double check na imigração canadense antes? Entramos lá e já nos atenderam, eu disse que tínhamos vindo pra aplicar pro PGWP e o oficial nos disse que devido ao número de pedidos eles já não estavam aceitando mais nenhum. E mais nada. Ficamos em choques. Tanto esforço pra nada! Ele chegou a dizer que poderíamos agendar online, mas que estava levando 30 dias. Não fazia sentido agendar para aplicar na fronteira. Acho que o que ele quis dizer era que poderíamos aplicar online. Aí perguntei se poderíamos voltar no dia seguinte e ele disse que sim, que eles processam esses pedidos de terça à quinta-feira, das 8 am às 12pm. Confirmei se era possivel fazer isso à pé e um oficial marrento disse que eu poderia ir até de bicicleta, mas que eu tinha que ir até os EUA e voltar.

Pensamos em pernoitar em Niagara, mas tínhamos que voltar pois nosso cachorro toma remédios à noite… e pra piorar eu trabalhava no dia seguinte cedinho. Liguei pra minha gerente, expliquei a situação e consegui um day off! Voltamos pra Toronto e ainda na estrada renovamos mais uma diária com o carro. Iríamos acordar as 5 horas da manhã, pra não perder tempo.

Um novo dia, uma nova chance!

Saímos cedo de casa e chegamos às 7:30am. Fomos direto pra passarela atravessar a ponte à pé. Paga-se $1.00 por pessoa e uma vez que você a atravessa você acaba caindo na imigração americana. Fomos super bem recebidos por um oficial que nos perguntou como podia ajudar. Dissemos que estávamos lá para fazer o flag pole e ele pediu nossos passaportes. Preencheu uma ficha simples com apenas nossos nomes e datas de nascimento e disse para entregarmos do outro lado. Chegamos na imigração canadense e outro oficial pegou nossos passaportes e pediu que esperássemos. Ficamos esperando por 3 horas até finalmente nos chamarem. Não sei se normalmente é tão demorado pois aquele dia eles estavam com problemas no sistema que estava caindo direto. O oficial leu nosso papel e pediu que confirmássemos que estávamos ali pra fazer o PGWP. Eu disse que no meu caso era uma extensão de Work Permit e ele disse: “Não fazemos extensões aqui.” Era tudo o que eu NÃO precisava ouvir. Eu insisti dizendo que sabia que era possível e ele foi super legal e disse que ia confirmar. Ele pediu pra sentarmos  e esperar porque ia demorar por conta do sistema e ainda nos pediu desculpas e paciência!

Passado uns 5 minutos ele disse que na verdade no meu caso não era uma extensção mas sim um novo Work Permit mas que infelizmente haviam restrições, e que ele havia tirado uma cópia para me entregar para eu ver com calma. Foi aí que eu disse pra ele que tinha os holerites do Alexandre e ele perguntou se eu tinha 3! Eu disse que sim e ele disse: “Oh that’s ok, then!” Ele iria processar o PGWP e depois o meu. Demorou tanto, por conta do sistema que estava caindo que no fim eles não estavam aceitando mais ninguém (estavam pedindo pra voltar depois de uma hora) e ficaram praticamente só nós e os oficiais na sala literalmente batendo papo. Quando o sitema voltou ele terminou o PGWP do Alexandre. O coitado do oficial disse que já tinha até passado 30 minutos do seu turno só pra terminar o dele, mas que ia deixar tudo certinho pro próximo oficial fazer o meu. Nesse momento dei um sorrisinho amarelo, tipo “Não… estava indo tão bem com você!”  Afinal a gente nunca sabe o que pode acontecer, né

Enfim, chegou o novo oficial, um mocinho novinho, e pra nossa felicidade, também super bonzinho, simpático. Mas infelizmente o sistema estava lento e precisei esperar mais 2 horas. Eu estava lá desde cedo e estava morrendo de fome. Fui então perguntar se eu podia sair pra almoçar e voltar, já que eles mesmos estavam pedindo pras pessoas voltarem mais tarde. Ele havia dito que OK, mas o outro oficial do lado disse que se eu saísse eu teria que voltar na imigração americana e depois contiuar com eles. Desisti. Foi aí que o oficial me disse: “Mas seu marido já conseguiu o PGWP, ele pode sair e trazer algo pra você comer aqui!” Foi só o tempo do Alexandre sair pra buscar um sanduíche pra mim que ele me chamou de volta e finalizar o processo. Ele perguntou quantos anos foi dado pro Alexandre e me deu o mesmo tempo pra expirar meu Work Permit.

Documentos

Eu havia levado todos os forms que eu tinha preenchido para aplicar online, mas o oficial disse que lá na fronteira ele não conseguia utilizar esses forms, que ele precisaria preencher tudo manualmente. Eu levei praticamente um fichário com  um monte de documentos, declarações de imposto de renda do Brasil e do Canadá, extratos bancários daqui e do Brasil, contrato de aluguel, holerites e cartas da empresa, enfim, um monte de coisa e, sinceramente, acho bom levar, pois você nunca sabe com o que eles podem encasquetar. Mas os que eu entreguei foram:

  • Passaportes como os respectivos Permits.
  • Carta oficial do College.
  • 3 últimos holerites do Alexandre + carta do empregador com descrição do cargo (no caso da minha aplicação).
  • Certidão de casamento traduzida (também no caso da minha aplicação).

Pagamento

Quando você faz a aplicação online, o pagamento é feito depois que você faz o upload de todos os documentos. Quando você envia via correios, você precisa pagar também online, mas através de um outro sistema. Eu não sabia se dava para pagar lá na hora, na imigração, então, pra não correr o risco eu acabei pagando online mesmo, como se eu fosse enviar por correios. Quando o oficial me disse que eu tinha que pagar, achei que só precisaria mostraro o comprovante de pagamento mas tive que pagar novamente no caixa de lá mas pedi o reembolso pelo site do CiC e em dois dias já caiu de volta na minha conta. No final foram dois Work Permits de $155.00 cada + $100.00 de uma fee. Os mesmos valores que eu havia pago online. Total de $510.00

Conclusões finais

É um processo simples e mais fácil do que eu imaginava, porém, você vai gastar um dia inteiro entre viagem, espera… fora o dinheiro com transporte e tempo. Valeu a pena pra nós porque precisávamos ter uma posição final pra sairmos do país, mas caso você não saia, recomendo fazer pelo processo normal.

Não achei que os oficiais não queriam processar PGWP. Acho que é um processo comum lá. A única coisa é que você tem que respeitar a janela de atendimento.

Não ache que é porque eles são oficiais de imigração que eles vão saber tudo na ponta da língua e já vão falar tudo o que você precisa fazer. Quando eu cheguei e eles me pediram os documentos eu perguntei “quais” e eles disseram ” o que você tiver”. Ou seja, você deve saber do seu processo e se e você ficar na dúvida, questione. Aí sim eles vão buscar informações e vão te dar uma resposta. Eles dão informações gerais para o público, até porque imagino que haja tantos cenários e casos diferentes que somente ali, conversando com você é que eles vão poder te ajudar, de fato.

Se você estiver com tudo organizado e não infringiu nenhuma lei, vá tranquilo. Não há porque dar errado.

Onde

Canada Border Services Agency – Rainbow Bridge Port of Entry

5660 Falls Ave, Niagara Falls, ON

Fone: +1 800-461-9999

Foto da internet. Essa é a entrada para a passarela que te leva até a imigração americana. Na volta você cai aqui de novo, o oficial te dá outro papel amarelo e te direciona para o outro prédio (atravessando essa rua) para de fato dar prosseguimento.