Não poderia deixar de registrar esse momento na minha vida, ainda que tão doloroso. Essa semana perdi um amigo de longa data, meu tão adorado Banzé.

Banzé sempre teve sopro no coração e isso nunca tinha sido um problema, mas com a velhice, seu coração foi ficando comprometido e acabou criando líquido no pulmão, o que o impedia de respirar apropriadamente. Em abril, ele teve o primeiro episódio da doença e depois de ficar internado por dois dias no oxigênio ele teve alta e voltou pra casa, mas a veterinária já havia dito que era comum cachorros com doença do coração terem um novo episódio no futuro e que não poderia prever quando isso iria acontecer, mas de que viria mais forte. Poderia ser depois de uma semana, um mês, 6 meses… mas que dificilmente ele viveria até o final do ano, por conta da idade.

Foram 3 meses de pura atenção, tomando vários remédios diariamente e lutando pra ele comer, já que os remédios o deixavam sem apetite. De modo geral ele parecia estar bem. Saíamos pra passear pelo bairro duas vezes por dia, passeios curtinhos, só pra ele se destrair e aproveitar os dias de Sol. Mas ele sentia muito sono por conta do coraçãozinho que mesmo com a ajuda de remédios estava bem exausto. Mas só o fato de ele estar vivo, ali do nosso lado nos enchia de alegri

Nas últimas semanas ele começou a tossir (na verdade parece mais um engasgo) e resolvi voltar no médico na última quinta-feira para fazer uma nova avaliação. Ele fez o raio-x e aparentemente estava bem, com apenas um pouco de muco nos bronquídeos, mas que não estava com água nos pulmões. Acidentalmente também conseguimos ver que ele estava com a artrite avançada e que provavelmente sentia dores nas costas e em uma das patas.

Banzé foi um cachorro muito forte – sobreviveu à um atropelamento, foi morar longe com meu irmão em Marília, viajou de avião do Brasil até o Canadá, teve um episódio de convulção aqui, o que o deixou com a cabeça um pouco torta, estava ficando cego, sofria de artrite e mesmo assim, levantava todos os dias pra ficar perto da gente.

Esta segunda-feira, dia 23 de julho de 2018, ele acordou sentindo dificuldades para respirar e resolvemos levá-lo pro hospital mas antes mesmo de sairmos ele desmaiou na minha frente e eu o peguei antes de cair no chão. Exatamente como aconteceu da primeira vez com o Alexandre. Corremos para o pronto-socorro onde colocaram ele no oxigênio e aplicaram uma dose maior do remédio que ele já estava tomando, mas já havia passado 30 minutos e ele não estava reagindo bem. O médico veio conversar com a gente e perguntou se iríamos querer insistir no tratamento ou considerar a eutanásia. Na verdade, desde o primeiro episódio a veterinária já tinha dado esta opção e lembro que ficamos em choque. Passamos aqueles dois dias chorando, pensando não só na perda mas no peso da responsabilidade (e também da culpa que iriamos carregar pro resto da vida). Decidimos na época por deixá-lo internado mas sabíamos que era uma questão de tempo, e que muito provavelmente teríamos que considerar a eutanásia no futuro. Desta vez, conversando com o veterinário ele nos disse que baseado na idade dele, no fato de ele não estar comendo bem desde o primeiro episódio, a qualidade de vida dele iria cair muito. Ele nos deixou refletindo na sala e tomamos a decisão. Conversamos com o médico e fomos até a recepção assinar o termo e fazer o acerto. Ele trouxe o Banzé numa sala privada para nos despedirmos e foi angustiante vê-lo com dificuldades  de respirar mesmo com com o oxigênio acoplado no fucinho. Ele estava com um olhar assustado… o Alexandre se despediu aos prantos e saiu para chamar o médico para terminarmos logo com aquele sofrimento.  Só eu fiquei na sala… não queria deixá-los sozinho… o veterinário disse pra me despedir e que seria muito rápido uma vez que ele aplicasse as injeções. Só tive tempo de dizeer “Tchau, amore” e em 3 segundos ele ficou estático. Senti meu coração apertar tão forte… chorei em silêncio, agradeci ao doutor por fazê-lo parar de sofrer e ele me confortou dizendo que eu havia feito a coisa certa a ser feita naquelas circunstâncias.

Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que nos acostumarmos com a casa vazia, sem barulho, sem vida.

Aos poucos estamos nos acostumando e entendendo que não havia mais como prolongar sua estadia aqui… era mesmo o seu fim e seria muito egoísmo de nossa parte tentar fazer diferente.

Escrevo este post para dizer à você que, qualquer que seja sua crença, ainda não inventaram nada contra a morte, por isso acostume-se com este fato e aproveite este intervalo enquanto pode.  A vida é realmente muito curta.

 

A música sempre curou minhas dores, então tenho ouvido bastante Marisa Monte nos últimos dias e essa música em especial, me toca bastante. Espero que goste.

 

Um abraço,

Vanessa.